Nota sobre o texto "Ébola, a incómoda realidade"
Opinião
» 2014-12-05
» Ricardo Jorge Rodrigues
Em primeiro lugar o autor fala que a Gripe A ”foi mais grave do que se pretende fazer crer” pois ”a inocuidade da passada epidemia da gripe A é (…) um mito”. Em relação a essa epidemia apenas referi que houve ”claramente um aproveitamento” realçando que, apesar disso, não foi ”tudo um golpe de marketing”. Quanto à ”possibilidade de virmos a enfrentar epidemias mortíferas” nada disse no meu texto e não faço futurologia embora tenha a minha opinião sobre o assunto que, para o caso, é irrelevante.
De seguida, o senhor Acácio Gouveia diz que o vírus Ébola é agressivo e ”já matou cerca de um terço dos infectados”. Diz que essa agressividade, assim como os factos, ”não pode ser desmentida”. Ora, em parte alguma em tentei fazer isso. Por outro lado, eu realcei a força desses números: ”Em quase quarenta anos desta doença registaram-se milhares de mortes ” mas realçando o aspecto de terem acontecido ”em África” e que, por isso, ”nunca ninguém quis saber”. A informação dada pelo autor do texto ”Ébola, a incómoda realidade” apenas reforça a minha opinião.
Mais à frente, o autor continua dizendo que existe uma ”uma sensação de segurança”, para europeus e americanos, ”muito exagerada”. Eu refiro existir o contrári uma sensação de histeria, palavra que incluí no meu título. Mas o senhor Acácio Gouveia justifica as suas palavras dizendo que essa sensação de segurança é exagerada ”até porque já houve mortes (2 em 6 doentes!) entre os infectados nos EUA e em Espanha”.
Ora, sobre isto apraz-me fazer duas pequenas notas:
1) O que eu escrevi no meu texto não foi que não se infectaram pessoas fora de África, isso aconteceu. O que eu escrevi foi que ”dessas pessoas não-africanas infectadas, nenhuma morreu”;
2) Reforço o que escrevi em cima fazendo uma ressalva, admitindo um pequeno err nenhuma pessoa não-africana morreu por causa de Ébola tendo contraído o vírus fora de África. As duas mortes que o senhor Acácio Gouveia refere, nos EUA e em Espanha, são de Thomas Duncan – um liberiano que contraiu o vírus no seu país de origem -, e Manuel García Vejo, um missionário espanhol que foi infectado na Serra Leoa.
Ou seja, ninguém infectado fora de África morreu e assim que o vírus saiu do continente africano foi totalmente controlado é essa a mensagem que tento passar ao longo do text ”Em quase quarenta anos desta doença registaram-se milhares de mortes em África e nunca ninguém quis saber […] Meia-dúzia de pessoas não-africanas foram infectadas e o mundo entra numa espécie de cataclismo sem retorno”. Tudo isto resumido pelo títul ”A hipocrisia e a histeria”.
O autor prossegue dizendo que o Ébola continua a ser uma preocupação ”pelo menos para as autoridades e profissionais de saúde”. Sobre este ponto acredito humildemente que o senhor Acácio Gouveia terá mais conhecimentos que eu para se pronunciar. Posso acrescentar apenas que, trabalhando eu num hospital de grandes dimensões nos arredores de Lisboa e que recebe frequentemente visitas de pessoas oriundas dos países embrionários do vírus ou geograficamente próximos destes, as preocupações que existem actualmente são relativas e em muito menor escala do que há – por exemplo – um mês atrás. Nem sequer podemos argumentar que é descuido do hospital onde trabalh as normas e indicações da Direcção Geral de Saúde (DGS) ou da Administração Regional de Saúde justificam o que escrevo. A título de exemplo, no site da DGS criado propositadamente para informar os cidadãos exclusivamente sobre o Ébola (o site é apenas sobre este vírus) a última norma publicada data de 29 de Outubro e o último boletim apresentado foi emitido em 06 de Novembro.
Em relação aos comentários feitos na temática da morte do Excalibur – o cão da enfermeira espanhola Teresa Romero – e a comparação com as mortes em África facilmente se conclui, lendo o meu texto, que estou em sintonia com o senhor Acácio Gouveia. Também em sintonia me parece que nos encontramos sobre o que o autor refere ser ”a conjugação do pânico com a ameaça” e que eu retrato como a ”estupidez humana no espaço mediático”.
Por último, agradeço ao senhor Acácio Gouveia a atenção que depositou na leitura do meu texto e agradeço ao ”Jornal Torrejano” por promover desta forma o debate público, uma mais-valia inquestionável para os leitores do jornal. Estando ao dispor do senhor Acácio Gouveia para debater pessoalmente este e qualquer tema, despeço-me com votos de felicidades para toda a comunidade torrejana.
Cordialmente, Ricardo Jorge Rodrigues
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Nota sobre o texto "Ébola, a incómoda realidade"
Opinião
» 2014-12-05
» Ricardo Jorge Rodrigues
Em primeiro lugar o autor fala que a Gripe A ”foi mais grave do que se pretende fazer crer” pois ”a inocuidade da passada epidemia da gripe A é (…) um mito”. Em relação a essa epidemia apenas referi que houve ”claramente um aproveitamento” realçando que, apesar disso, não foi ”tudo um golpe de marketing”. Quanto à ”possibilidade de virmos a enfrentar epidemias mortíferas” nada disse no meu texto e não faço futurologia embora tenha a minha opinião sobre o assunto que, para o caso, é irrelevante.
De seguida, o senhor Acácio Gouveia diz que o vírus Ébola é agressivo e ”já matou cerca de um terço dos infectados”. Diz que essa agressividade, assim como os factos, ”não pode ser desmentida”. Ora, em parte alguma em tentei fazer isso. Por outro lado, eu realcei a força desses números: ”Em quase quarenta anos desta doença registaram-se milhares de mortes ” mas realçando o aspecto de terem acontecido ”em África” e que, por isso, ”nunca ninguém quis saber”. A informação dada pelo autor do texto ”Ébola, a incómoda realidade” apenas reforça a minha opinião.
Mais à frente, o autor continua dizendo que existe uma ”uma sensação de segurança”, para europeus e americanos, ”muito exagerada”. Eu refiro existir o contrári uma sensação de histeria, palavra que incluí no meu título. Mas o senhor Acácio Gouveia justifica as suas palavras dizendo que essa sensação de segurança é exagerada ”até porque já houve mortes (2 em 6 doentes!) entre os infectados nos EUA e em Espanha”.
Ora, sobre isto apraz-me fazer duas pequenas notas:
1) O que eu escrevi no meu texto não foi que não se infectaram pessoas fora de África, isso aconteceu. O que eu escrevi foi que ”dessas pessoas não-africanas infectadas, nenhuma morreu”;
2) Reforço o que escrevi em cima fazendo uma ressalva, admitindo um pequeno err nenhuma pessoa não-africana morreu por causa de Ébola tendo contraído o vírus fora de África. As duas mortes que o senhor Acácio Gouveia refere, nos EUA e em Espanha, são de Thomas Duncan – um liberiano que contraiu o vírus no seu país de origem -, e Manuel García Vejo, um missionário espanhol que foi infectado na Serra Leoa.
Ou seja, ninguém infectado fora de África morreu e assim que o vírus saiu do continente africano foi totalmente controlado é essa a mensagem que tento passar ao longo do text ”Em quase quarenta anos desta doença registaram-se milhares de mortes em África e nunca ninguém quis saber […] Meia-dúzia de pessoas não-africanas foram infectadas e o mundo entra numa espécie de cataclismo sem retorno”. Tudo isto resumido pelo títul ”A hipocrisia e a histeria”.
O autor prossegue dizendo que o Ébola continua a ser uma preocupação ”pelo menos para as autoridades e profissionais de saúde”. Sobre este ponto acredito humildemente que o senhor Acácio Gouveia terá mais conhecimentos que eu para se pronunciar. Posso acrescentar apenas que, trabalhando eu num hospital de grandes dimensões nos arredores de Lisboa e que recebe frequentemente visitas de pessoas oriundas dos países embrionários do vírus ou geograficamente próximos destes, as preocupações que existem actualmente são relativas e em muito menor escala do que há – por exemplo – um mês atrás. Nem sequer podemos argumentar que é descuido do hospital onde trabalh as normas e indicações da Direcção Geral de Saúde (DGS) ou da Administração Regional de Saúde justificam o que escrevo. A título de exemplo, no site da DGS criado propositadamente para informar os cidadãos exclusivamente sobre o Ébola (o site é apenas sobre este vírus) a última norma publicada data de 29 de Outubro e o último boletim apresentado foi emitido em 06 de Novembro.
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