• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Segunda, 22 de Outubro de 2018
Pesquisar...
Qui.
 26° / 13°
Períodos nublados
Qua.
 26° / 14°
Períodos nublados
Ter.
 24° / 15°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  26° / 13°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

A nossa pátria

Opinião  »  2018-05-04  »  Jorge Carreira Maia

"A leviandade com que estamos a descartar os clássicos greco-latinos e o Cristianismo, a matar a nossa pátria arcaica, é o sintoma de uma doença que tem todo o ar de ser fatal."

Ao comprar a nova tradução de Frederico Lourenço da Odisseia de Homero, lembrei-me da célebre frase de Fernando Pessoa ou, melhor, de Bernardo Soares: Minha pátria é a língua portuguesa. Há nesta frase um equívoco qualquer. A língua portuguesa, como outras, é apenas uma pátria de acolhimento. Na verdade, somos uma espécie de refugiados de uma pátria mais arcaica e fundamental. Que pátria é essa? É aquela que Frederico Lourenço, através das suas traduções de Homero e da Bíblia, está a expor aos portugueses. Não é uma pátria territorial, mas uma herança com cerca de três milénios.

A nossa pátria é a poesia dos gregos. De Homero, de Hesíodo, de Píndaro, de Ésquilo, de Sófocles e de muitos outros. A nossa pátria é a filosofia de Platão e de Aristóteles. A nossa pátria é a poesia latina de Horácio, Ovídio, Virgílio. Inclui Cícero, Marco Aurélio, Tito Lívio. A nossa pátria é o Antigo Testamento e o Novo Testamento, Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino. Apesar de esforços hercúleos de alguns – como Frederico Lourenço –, a nossa pátria arcaica está a ser corroída pelo abandono a que nós, seus filhos e cidadãos, estamos a votá-la.

É nos autores clássicos greco-latinos e nos dois Testamentos, que constituem o livro sagrado do Cristianismo, que estão os fundamentos daquilo que somos. É lá que residem as fontes que nos alimentaram nos últimos milénios. A descristianização e o abandono, na instrução escolar, da leitura dos clássicos estão a introduzir, desde há décadas, uma brecha entre as gerações actuais e fundo cultural que lhes deu origem, sentido e substância. A partir de certa altura, parece ter-se constituído uma conspiração com a finalidade de cortar as novas gerações da ligação ao passado e apagar, na sua memória, o conhecimento dessa herança que nos trouxe até aqui.

A aventura do homem ocidental não começou com a revolução científica do século XVII, o Iluminismo, a revolução industrial e tecnológica, o liberalismo e a democracia. Começou muito mais cedo, começou nesse tempo e com essa herança que hoje queremos esquecer. Esquecer a nossa origem não é apenas um problema de má memória mas um efectivo suicídio colectivo. Sem a memória do passado, a identidade torna-se de tal maneira frágil que seremos levados por um qualquer vendaval que a História está sempre pronta a oferecer. A leviandade com que estamos a descartar os clássicos greco-latinos e o Cristianismo, a matar a nossa pátria arcaica, é o sintoma de uma doença que tem todo o ar de ser fatal.

http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/

 

 

 Outras notícias - Opinião


Casimiro Pereira… dedicação e simplicidade »  2018-10-12  »  Anabela Santos

Pego na caneta, no papel, sento-me na mesa do café e questiono-me: como me atrevo a escrever sobre este senhor? – Não sei, corro o risco, simplesmente.

Era uma miúda, criança mesmo, quando Casimiro Pereira começou a sua vida autárquica em Torres Novas.
(ler mais...)


Como prevenir e tratar infeções urinárias »  2018-10-12  »  Juvenal Silva

Como prevenir e tratar infeções urinárias

As infeções urinárias são muito incómodas e mais recorrentes nas mulheres, que as obrigam a consultas médicas algumas vezes ao ano. Normalmente, o tratamento consiste na toma de antibióticos, que matam a infeção presente, mas deixam a bexiga vulnerável a uma próxima invasão bacteriana.
(ler mais...)


Venha daí um refrigerante fresquinho! »  2018-10-12  »  Miguel Sentieiro

Sumol é um dos actuais alvos da implacável máquina fiscal. Essa refrescante bebida de laranja, com bolhinhas, que nos alivia o calor no pingo do verão, afinal é um vilão cheio de sacarose para nos envenenar.
(ler mais...)


Passa »  2018-10-12  »  Inês Vidal

A Golegã auto intitula-se capital do cavalo. Veiga Maltez gostava de cavalos, havia cavalos na vila, sacou daquela da cartola e um dia disse: “cavalos são na Golegã”. A ideia pegou, vendeu e hoje já não é só o presidente que lhe chama assim.
(ler mais...)


The Times They Are A-Changin` »  2018-10-12  »  Jorge Carreira Maia

Ouvida nos dias que correm, a canção de Bob Dylan não deixa de parecer uma singular ironia, uma ironia que atinge o cerne das crenças que estão no coração das gerações que fizeram da balada dylaniana um símbolo do caminho para o paraíso.
(ler mais...)


O papel dos cidadãos »  2018-09-27  »  Jorge Carreira Maia

No início do ano lectivo, costumo explicar aos meus alunos de Ciência Política que a política é o lugar do mal. No seguimento da lição de Thomas Hobbes, tento mostrar-lhes que a política existe porque nós não somos moralmente irrepreensíveis e, movidos por interesses egoístas, fazemos mal uns aos outros.
(ler mais...)


Suave cumplicidade »  2018-09-26  »  Carlos Tomé

Aqui há um ano, prometeram que o homem ia voltar e ele voltou mesmo. Nessa altura o homem era o José Afonso, e a sua música ecoou tão simples e tão pura no auditório do Hotel dos Cavaleiros que os LaFontinha conseguiram o milagre de ressuscitar o genial autor de geniais canções, que agora querem tratar como um vulgar herói nacional grato ao poder, e cuja gratidão o poder reconhece com o panteão, retirando-o da terra e do povo que ele sempre adorou.
(ler mais...)


Podemos ou não prevenir as doenças oncológicas »  2018-09-26  »  Juvenal Silva

Como ocorre em muitas outras doenças crónicas e mortais, e apesar de décadas de investigações e milhões de dólares investidos, a ciência ainda não consegue definir a causa do crescimento descontrolado das células tumorais.
(ler mais...)


Orçamento Participativo, alguém se lembra dele?.. »  2018-09-26  »  Nuno Curado

Vamos ter mais um ano sem um Orçamento Participativo (OP) aqui em Torres Novas. Lembrei-me disso ao ver a notícia dos recentes vencedores do OP em Abrantes. O ano passado, o OP não avançou no nosso concelho com o argumento de ser ano de eleições.
(ler mais...)


As caixas de correio e a liderança »  2018-09-26  »  António Gomes


A imagem que acompanha esta crónica pode ser o espelho da degradação do centro e da cidade de Torres Novas. Chegámos aqui por responsabilidade do PS: abandono, desleixo, insegurança.

A fotografia foi tirada há três anos, mas já tudo estava assim antes.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-10-12  »  Jorge Carreira Maia The Times They Are A-Changin`
»  2018-10-12  »  Inês Vidal Passa