“Vocês, brancos, são todos iguais!”
Opinião
» 2016-08-05
» Ricardo Jorge Rodrigues
Foi com esta frase que terminou uma semana louca de trabalho para mim aqui em Maputo. Apesar de o aparentar esta frase não foi um insulto. Mas já lá vamos. Antes é preciso entender o fim da história. Cheguei a Maputo em Fevereiro, com contrato de seis meses, para trabalhar na comunicação e angariação de fundos de uma empresa portuguesa que faz a gestão de duas escolas (ISG – ensino superior –, e IEG – ensino médio), de um centro de formação (BSL) e de uma ONG (Actin). Quase todo o meu trabalho se centrou nas duas escolas visto que a BSL é bastante autónoma na sua gestão e a Actin está ainda numa fase bastante embrionária.
Ao início foi bastante complicado perceber a dinâmica do trabalho. As coisas não são como em Portugal: as instituições públicas trabalham mal e lentamente; os próprios funcionários da empresa trabalham de forma menos eficaz; os recursos são muito mais limitados (por exemplo, há manhãs inteiras em que não consigo abrir a caixa de e-mail); e, claro, as idiossincrasias inerentes ao próprio trabalho em que é necessário aplicar as minhas capacidades a uma realidade que desconheço.
Entre gestão de redes sociais, protocolos de cooperação, assistência noutras tarefas a colegas e as peripécias do dia-a-dia, quando comecei a compreender as dinâmicas estávamos a meio do contrato. Longe de mim pensar que domino as dinâmicas de trabalho em Moçambique: são elas que nos dominam a nós. Mas foi por volta de Maio que comecei a entender o ritmo e foi nessa altura que surgiu a ideia de promover “Dias Abertos” nas nossas instituições de ensino.
Foi uma experiência esgotante, nem sempre gratificante, mas aquela que mais me enriqueceu. Sobretudo – sempre – pelo contacto com as pessoas: desde logo por uma aproximação aos alunos, muitos deles com mais objectivos do que aqueles que às vezes imaginamos, e todos de uma simpatia contagiante; depois com os profissionais de excelência, alguns dos quais com reconhecimento nacional mas com a humildade de quem sabe de onde veio para nos ajudarem a troco de nada; e, também, pela aprendizagem com pessoas muito profissionais que se vão descobrindo pelo caminho.
No último dia do evento realizou-se uma festa com várias actividades que envolveram alunos, professores, funcionários e convidados como artistas reconhecidos por todo o país. Ouvir um dos nossos parceiros agradecer no palco o meu trabalho enche-me de vaidade. No meu caso, uma vaidade envergonhada, lá atrás, sem ninguém dar por mim. Gosto, claro, de ver o meu esforço reconhecido.
É nesse sentido que vou terminar esta crónica, explicando o título da mesma. Após a festa, em conversa com um dos professores presentes no evento confessei-lhe que em Agosto voltaria a Portugal. E ele respondeu-me exactamente isso: “Vocês, brancos, são todos iguais”. A frase enche-se de ironia despindo-se de qualquer potencial ofensa sobretudo porque o mesmo professor é branco. Esse facto conjugado com o olhar de surpresa e desalento quando lhe disse que irei embora, torna a frase num elogio. Foi uma forma de dizer “gostava que ficasses”. E isso, no fundo, já fez valer esta experiência.
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“Vocês, brancos, são todos iguais!”
Opinião
» 2016-08-05
» Ricardo Jorge Rodrigues
Foi com esta frase que terminou uma semana louca de trabalho para mim aqui em Maputo. Apesar de o aparentar esta frase não foi um insulto. Mas já lá vamos. Antes é preciso entender o fim da história. Cheguei a Maputo em Fevereiro, com contrato de seis meses, para trabalhar na comunicação e angariação de fundos de uma empresa portuguesa que faz a gestão de duas escolas (ISG – ensino superior –, e IEG – ensino médio), de um centro de formação (BSL) e de uma ONG (Actin). Quase todo o meu trabalho se centrou nas duas escolas visto que a BSL é bastante autónoma na sua gestão e a Actin está ainda numa fase bastante embrionária.
Ao início foi bastante complicado perceber a dinâmica do trabalho. As coisas não são como em Portugal: as instituições públicas trabalham mal e lentamente; os próprios funcionários da empresa trabalham de forma menos eficaz; os recursos são muito mais limitados (por exemplo, há manhãs inteiras em que não consigo abrir a caixa de e-mail); e, claro, as idiossincrasias inerentes ao próprio trabalho em que é necessário aplicar as minhas capacidades a uma realidade que desconheço.
Entre gestão de redes sociais, protocolos de cooperação, assistência noutras tarefas a colegas e as peripécias do dia-a-dia, quando comecei a compreender as dinâmicas estávamos a meio do contrato. Longe de mim pensar que domino as dinâmicas de trabalho em Moçambique: são elas que nos dominam a nós. Mas foi por volta de Maio que comecei a entender o ritmo e foi nessa altura que surgiu a ideia de promover “Dias Abertos” nas nossas instituições de ensino.
Foi uma experiência esgotante, nem sempre gratificante, mas aquela que mais me enriqueceu. Sobretudo – sempre – pelo contacto com as pessoas: desde logo por uma aproximação aos alunos, muitos deles com mais objectivos do que aqueles que às vezes imaginamos, e todos de uma simpatia contagiante; depois com os profissionais de excelência, alguns dos quais com reconhecimento nacional mas com a humildade de quem sabe de onde veio para nos ajudarem a troco de nada; e, também, pela aprendizagem com pessoas muito profissionais que se vão descobrindo pelo caminho.
No último dia do evento realizou-se uma festa com várias actividades que envolveram alunos, professores, funcionários e convidados como artistas reconhecidos por todo o país. Ouvir um dos nossos parceiros agradecer no palco o meu trabalho enche-me de vaidade. No meu caso, uma vaidade envergonhada, lá atrás, sem ninguém dar por mim. Gosto, claro, de ver o meu esforço reconhecido.
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