Constituição, Saramago e Crueldade
Opinião
» 2026-04-03
» Jorge Carreira Maia
Constituição. A Constituição portuguesa faz cinquenta anos. Tem marcas da época, isto é, do processo de ruptura com o regime autoritário do Estado Novo e da intensa luta política que se seguiu. Durante todo este tempo, a Constituição, com as respectivas revisões, suportou tanto governos à direita como à esquerda. Mostrou-se como um documento de compromisso, maleável, entre duas visões do país. É possível que, durante esta legislatura, essa Constituição seja subvertida e exclua dela a esquerda. Uma maioria conjuntural de direita tem poderes para fazer uma revisão estrutural do documento e, de certo modo, tornar ilegítimas políticas provenientes da esquerda. Tudo depende do PSD, mas, como se tem visto, este PSD, em questões essenciais, está mais próximo do Chega do que do centro político.
Saramago. O Nobel português da literatura é um osso atravessado na garganta de muita gente. Na proposta das novas aprendizagens essenciais (o programa da disciplina) de Português do 12.º ano, Saramago não aparece como leitura obrigatória. Tornar-se-á, caso a proposta seja aprovada, opcional. Sendo a outra opção Mário de Carvalho. O estranho de tudo isto é que Saramago não é apenas o único Nobel da literatura de língua portuguesa, como é, juntamente com Fernando Pessoa, um dos escritores portugueses do século XX com maior reconhecimento internacional. Por vezes, tem-se a sensação de que se fosse possível haveria um bom número de portugueses que retirariam o Nobel a Saramago. Um incómodo para muitas almas virtuosas de portugueses de bem.
Sexta-Feira de Paixão e crueldade. A cruel morte de Cristo na Cruz é, do ponto de vista cristão, o sacrifício último que dispensa qualquer outro sacrifício humano. É a violência sofrida para acabar com a violência entre os homens. Ora, é espantoso que em nome de Cristo se esteja a espalhar pelo mundo uma violência desmedida. Uma maré de irracionalidade, proveniente de seitas evangélicas, mas não só, alimenta discursos e práticas de grande crueldade, de exclusão e de humilhação de seres humanos. A Igreja Católica é, nos dias que correm, um oásis de racionalidade e de fidelidade ao sentido profundo do Cristo crucificado. É uma voz contra as aventuras bélicas, os discursos xenófobos e as práticas políticas cruéis. Isto contra o desejo de alguns sectores católicos que mobilizam a fé como ideologia para suportar os seus desejos de dominação e de aniquilação do que é diferente, para o seu desejo de propagar a crueldade. Na verdade, se pudessem também eles crucificariam Cristo.
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Constituição, Saramago e Crueldade
Opinião
» 2026-04-03
» Jorge Carreira Maia
Constituição. A Constituição portuguesa faz cinquenta anos. Tem marcas da época, isto é, do processo de ruptura com o regime autoritário do Estado Novo e da intensa luta política que se seguiu. Durante todo este tempo, a Constituição, com as respectivas revisões, suportou tanto governos à direita como à esquerda. Mostrou-se como um documento de compromisso, maleável, entre duas visões do país. É possível que, durante esta legislatura, essa Constituição seja subvertida e exclua dela a esquerda. Uma maioria conjuntural de direita tem poderes para fazer uma revisão estrutural do documento e, de certo modo, tornar ilegítimas políticas provenientes da esquerda. Tudo depende do PSD, mas, como se tem visto, este PSD, em questões essenciais, está mais próximo do Chega do que do centro político.
Saramago. O Nobel português da literatura é um osso atravessado na garganta de muita gente. Na proposta das novas aprendizagens essenciais (o programa da disciplina) de Português do 12.º ano, Saramago não aparece como leitura obrigatória. Tornar-se-á, caso a proposta seja aprovada, opcional. Sendo a outra opção Mário de Carvalho. O estranho de tudo isto é que Saramago não é apenas o único Nobel da literatura de língua portuguesa, como é, juntamente com Fernando Pessoa, um dos escritores portugueses do século XX com maior reconhecimento internacional. Por vezes, tem-se a sensação de que se fosse possível haveria um bom número de portugueses que retirariam o Nobel a Saramago. Um incómodo para muitas almas virtuosas de portugueses de bem.
Sexta-Feira de Paixão e crueldade. A cruel morte de Cristo na Cruz é, do ponto de vista cristão, o sacrifício último que dispensa qualquer outro sacrifício humano. É a violência sofrida para acabar com a violência entre os homens. Ora, é espantoso que em nome de Cristo se esteja a espalhar pelo mundo uma violência desmedida. Uma maré de irracionalidade, proveniente de seitas evangélicas, mas não só, alimenta discursos e práticas de grande crueldade, de exclusão e de humilhação de seres humanos. A Igreja Católica é, nos dias que correm, um oásis de racionalidade e de fidelidade ao sentido profundo do Cristo crucificado. É uma voz contra as aventuras bélicas, os discursos xenófobos e as práticas políticas cruéis. Isto contra o desejo de alguns sectores católicos que mobilizam a fé como ideologia para suportar os seus desejos de dominação e de aniquilação do que é diferente, para o seu desejo de propagar a crueldade. Na verdade, se pudessem também eles crucificariam Cristo.
Os nossos sonhos - joão carlos lopes
» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. |
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Caderneta completa
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. |
Leituras de férias
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. |
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |
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» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
Os nossos sonhos - joão carlos lopes |
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» 2026-08-08
» António Gomes
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» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-08-08
» Carlos Paiva
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