Sal e azar - carlos paiva
Opinião
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer.
Os filhos, nascidos ainda em ditadura mas demasiado novos para terem percepção das diferenças entre o antes e o depois, cresceram num ambiente de paz, desenvolvimento económico, acesso a educação, a cuidados de saúde, a informação entretenimento e cultura, sem censura, com liberdade de expressão. Esses filhos construíram uma vida digna, onde apenas um salário seria suficiente para assegurar a sobrevivência e bem estar da família. Com dois salários, casa própria, um ou dois carros, filhos a frequentar o ensino superior, duas semanas de férias por ano num destino turístico longe da sua residência, outras duas semanas de férias com despesas um pouco mais contidas, mais um ou outro luxo consumista pontual.
O fascismo que, reservando para as elites, roubou a hipótese de tudo isto às gerações anteriores, a democracia que permitiu tudo isto às posteriores, são apenas palavras escritas em livros que nunca leram. A corrupção generalizada onde dois presuntos e uma talha de azeite (uma pequena fortuna para a maioria da população) talvez livrasse do serviço militar obrigatório e consequentemente da guerra, os dois filhos que medraram, todo um sistema fiscal e tributivo que funcionava exclusivamente a toque de oferendas, licenças e autorizações, eram favores igualmente pagos com prendas e atenções, os rancores e caprichos saciados com denúncias falsas à PIDE, cujo sadismo, digno da santa inquisição, não hesitou em destruir famílias, vidas, tudo isto não fez parte da sua realidade. O que os pais e avós lhes contavam, foi há muito esquecido, abafado e diluído no frenesim de ostentação e consumismo induzido pela gaiola dourada. Daí, hoje votarem sem peso na consciência, sem sentimentos de culpa, em partidos políticos com tiques totalitários. Sem perceberem o insulto cuspido na cara da sua própria ascendência.
Abraçando a liberdade democrática no seu todo, seria hipocrisia subverter os valores mediante conveniência. Podem proferir barbaridades insultuosas, devemos preservar o direito de o fazerem. Escolho a justificação da ignorância à da irresponsabilidade.
Dois fulanos correm a fugir de um leão. Um diz para o outro: Força! Temos de ser mais rápidos que o leão! O outro responde: Não. Só tenho de ser mais rápido que tu.
Pouco nós e muito eu. Incompatível com discursos declarações e ideologias. Mantém-se a tradição da obtusidade, quando o necessário seria articulação e concertação, útil para o todo. Os efeitos colaterais pedagógicos seriam bónus. Os últimos trinta anos da história autárquica ilustram vividamente que oportunidades perdidas jamais são recuperáveis. Facturas caríssimas, com o custo a cair na conta do narcisismo.
Enquanto se joga xadrez pelo acesso ao tacho, concede-se gratuitamente o poder de decisão a agendas incógnitas. O começo não está a ser auspicioso.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Sal e azar - carlos paiva
Opinião
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer.
Os filhos, nascidos ainda em ditadura mas demasiado novos para terem percepção das diferenças entre o antes e o depois, cresceram num ambiente de paz, desenvolvimento económico, acesso a educação, a cuidados de saúde, a informação entretenimento e cultura, sem censura, com liberdade de expressão. Esses filhos construíram uma vida digna, onde apenas um salário seria suficiente para assegurar a sobrevivência e bem estar da família. Com dois salários, casa própria, um ou dois carros, filhos a frequentar o ensino superior, duas semanas de férias por ano num destino turístico longe da sua residência, outras duas semanas de férias com despesas um pouco mais contidas, mais um ou outro luxo consumista pontual.
O fascismo que, reservando para as elites, roubou a hipótese de tudo isto às gerações anteriores, a democracia que permitiu tudo isto às posteriores, são apenas palavras escritas em livros que nunca leram. A corrupção generalizada onde dois presuntos e uma talha de azeite (uma pequena fortuna para a maioria da população) talvez livrasse do serviço militar obrigatório e consequentemente da guerra, os dois filhos que medraram, todo um sistema fiscal e tributivo que funcionava exclusivamente a toque de oferendas, licenças e autorizações, eram favores igualmente pagos com prendas e atenções, os rancores e caprichos saciados com denúncias falsas à PIDE, cujo sadismo, digno da santa inquisição, não hesitou em destruir famílias, vidas, tudo isto não fez parte da sua realidade. O que os pais e avós lhes contavam, foi há muito esquecido, abafado e diluído no frenesim de ostentação e consumismo induzido pela gaiola dourada. Daí, hoje votarem sem peso na consciência, sem sentimentos de culpa, em partidos políticos com tiques totalitários. Sem perceberem o insulto cuspido na cara da sua própria ascendência.
Abraçando a liberdade democrática no seu todo, seria hipocrisia subverter os valores mediante conveniência. Podem proferir barbaridades insultuosas, devemos preservar o direito de o fazerem. Escolho a justificação da ignorância à da irresponsabilidade.
Dois fulanos correm a fugir de um leão. Um diz para o outro: Força! Temos de ser mais rápidos que o leão! O outro responde: Não. Só tenho de ser mais rápido que tu.
Pouco nós e muito eu. Incompatível com discursos declarações e ideologias. Mantém-se a tradição da obtusidade, quando o necessário seria articulação e concertação, útil para o todo. Os efeitos colaterais pedagógicos seriam bónus. Os últimos trinta anos da história autárquica ilustram vividamente que oportunidades perdidas jamais são recuperáveis. Facturas caríssimas, com o custo a cair na conta do narcisismo.
Enquanto se joga xadrez pelo acesso ao tacho, concede-se gratuitamente o poder de decisão a agendas incógnitas. O começo não está a ser auspicioso.
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem!
» 2026-10-05
Da ponte do Moinho da Fonte, com a fábrica velha da Renova nas costas, é esta a visão do rio Almonda: um regato com um palmo de água e o leito invadido por canaviais de um lado, arbustos do outro. Daqui para a frente, na Azenha, no Casal da Pinheira, no Choupal, na Ribeira antes da ponte, os cenários são de horror. |
A Fraude - I
» 2026-10-05
» Acácio Gouveia
“Forja a língua numa bigorna livre de mentiras”, Píndaro Causou algum burburinho uma espécie de workshop organizado recentemente por um conhecido infuencer antivacinas em Santarém. Dum lado, os adversários da iniciativa e críticos da passividade da autarquia, coproprietária das instalações onde teve lugar a tal sessão; do outro, os que acham que não se pode tolher a liberdade de opinião e que é contraproducente dar palco a um movimento sem expressão, onde se prega para pequena comunidade fechada de convertidos. |
Do diáfano do imaginário à aridez da realidade
» 2026-10-05
» António Mário Santos
Numa conversa recente, motivada pelos exames e o futuro da educação concelhia, veio ao de cima o actual desencanto da juventude, que, após o fim do secundário, ou entra numa universidade, ou sem posses para as mesmas, sedeadas nas principais cidades do país, opta pelo ensino superior tecnológico, diversificado no Médio Tejo, em Abrantes, Tomar ou Santarém. |
Esposas, mães, filhas, irmãs, mulheres
» 2026-10-05
Para escrever as crónicas no Jornal Torrejano, habitualmente faço previamente um périplo pela imprensa regional para me inteirar da realidade, ficar a saber o que se passa. Nem sempre o tema seleccionado é o mais relevante da actualidade, depende da inspiração para escrever, depende de factores, muitas vezes, aleatórios. |
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia
» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
A recente visita do Presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, é, por parte do presidente chinês, um exercício de cinismo e de humilhação do país anfitrião. Não fora Donald Trump o presidente em exercício, e seria duvidoso que a atitude de Jinping fosse a mesma. |
Biometano versus solar e eólico
» 2026-09-19
» António Gomes
O Governo aprovou recentemente o “Mapa Verde” para as energias renováveis, ou seja, criou as chamadas Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), uma espécie de autoestrada para os projectos de energia com origem no solar e no eólico. |
A liberdade de informação e o poder político
» 2026-09-19
» António Mário Santos
A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista. |
Salve-se quem puder
» 2026-09-19
» Carlos Paiva
A evolução na postura da autarquia aconteceu, é um facto. Quando Pedro Ferreira, anterior edil, era confrontado, por vezes atropelado, por factos da vida real, respondia o clássico "Eu não sabia de nada!", Trincão Marques, actual edil, em situações idênticas, responde "Sim, é um problema!". |
O Princípio da Realidade
» 2026-09-19
» José Ricardo Costa
Na anterior edição do JT, não pude deixar de notar com júbilo a notícia sobre a formação de um núcleo intermunicipal Entroncamento-Torres Novas, do partido Livre. Declaração de desinteresse: não tenho partido e, para o caso, é irrelevante o partido em questão. |
Educação, PISA e cultura escolar
» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
O alarido com os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) trouxe-me de novo à Educação. A queda dos resultados de Portugal foi substancial, embora muitos países ocidentais também tivessem maus resultados, o que gerou uma grande debate político sobre as causas e os culpados desta queda dos estudantes portugueses. |
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» 2026-10-05
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem! |
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» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
Educação, PISA e cultura escolar |
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» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia |
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» 2026-09-19
» António Gomes
Biometano versus solar e eólico |
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» 2026-09-19
» António Mário Santos
A liberdade de informação e o poder político |