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Opinião  »  2017-11-07  »  Jorge Salgado Simões

" Parece-me claro que temos de ter um programa de segunda oportunidade na área da educação de adultos"

Quando muitos pensavam que a única coisa positiva da recente tragédia dos incêndios era que finalmente o país ia olhar de outra forma para a interior, para o espaço rural e para fora das grandes áreas metropolitanas, as notícias que vão sendo conhecidas sobre a reprogramação dos fundos comunitários desfazem qualquer réstia de dúvidas. É mesmo para manter o atual estado de coisas e desistir de um território mais equilibrado e coeso, continuando a apostar todas as fichas em Lisboa e Porto.

Em traços muito gerais, a questão é que o anterior Governo negociou o atual quadro de financiamento europeu envolvendo o PS nas negociações, chegando-se a um plano de 25 mil milhões de euros. Este quadro privilegia os incentivos às empresas e o investimento público nas regiões não metropolitanas, com níveis de riqueza inferiores, prosseguindo a política de coesão e desenvolvimento regional que a UE defende. Chegados ao período de reprogramação e sem falar com ninguém, temos que o atual Governo se prepara para alterar os destinos a dar aos montantes contratualizados. E que destinos serão esses? Ao que parece, haverá que financiar o programa Qualifica, substituto das Novas Oportunidades, a construção de novas escolas que ficaram de fora dos planos do anterior quadro, e serão necessárias algumas centenas de milhões de euros para novos investimentos nos Metros de Lisboa e Porto e na Linha de Cascais.

 A confirmar-se, devemos questionar as opções seguidas. A mim, parece-me claro que temos de ter um programa de segunda oportunidade na área da educação de adultos e que há, de facto, muitas escolas que ficaram sem qualquer intervenção por via de opções desastrosas no anterior programa de requalificação do parque escolar. E também não tenho grandes dúvidas de que outros investimentos serão necessários nos transportes metropolitanos. Contudo, se há recursos disponíveis para as políticas orçamentais expansionistas que temos visto defendidas pelo atual Governo, porquê retirar verbas ao investimento no interior do país e às regiões com menos recursos, como a nossa, para as afetar em mais centralismo, em mais Lisboa e Porto, e em mais desequilíbrio territorial?

 

 

 

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