Não há um adulto na sala? - joão carlos lopes
Opinião
» 2022-09-21
» João Carlos Lopes
A cena da imagem é uma carrinha de pronto-socorro que queria ir para os lados de São Pedro. Não podendo (teria de voltar em direcção ao largo da Botica, Rotunda, rua do Nogueiral, largo do Caldeirão, fazer toda avenida, isto é, correr a cidade toda) – por isso, tentou pela rua da Trindade, mas teve de voltar para trás. Pois é isso: como mesmo um cego pode constatar, a rua da Trindade só tem largueza para um papa-reformas e mal. É o que acontece quando se altera o sentido de uma rua, a Direita de São Pedro, que é há séculos uma rua de saída para os lados do Samão, Lapas, Ribeira, mais antigamente para Alcanena pela Videla. Há ruas que têm um ADN, uma coisa que não se deve mudar, está-lhes na pele.
Entretanto, quem aparecer no largo do Paço ou no largo da Botica e queira ir para a outra zona da cidade, Tufeiras, Silvã, ou mesmo sair para Ourém e Tomar, carros, camionetas ou trotinetas, desce a Miguel Bombarda, atravessa a ponte, mete pela rua do Nogueiral e vai obrigatoriamente dar ao local da cidade onde o trânsito é mais atravancado e até perigoso: o largo do Caldeirão. É a perigosa curva em cotovelo, para os peões, para os carros que vão e que vêm, as pessoas que tem de travessar o largo, é o cruzamento com a avenida dos Bombeiros Voluntários, que agora já é relativamente congestionado para os padrões locais. Pontaria melhor, era difícil.
A ponte vinda da biblioteca, para acabar com a entrada pelo túnel na rua 1.º de Dezembro, é a pedido de um (dois, no máximo) moradores e de um bar, dizem os especialistas ouvidos. Chatice, a rua é assim estreita há 500 anos e quem para lá foi, e vai, já sabia disso. Diz que é chato, estar a ouvir carros de vez em quando. Espera-se igual tratamento para os moradores da rua Miguel de Arnide, Carlos Reis, Artur Gonçalves, da Rua Miguel Bombarda, da rua Serpa Pinto, que ainda assim são muitos mais que dois. Feche-se isso tudo, também são povos de Deus. De qualquer modo, foi muito boa ideia fazer esta experiência, neste ponto concreto da ponte da biblioteca para a avenida, quando as piscinas estão encerradas ao público e ainda não começaram as actividades do Choral em força. Pelo que se antevê, seria o caos.
Outra ideia de se lhe tirar o chapéu é o acesso ao largo de São Pedro pela rua Dr. F.L. Gouveia, logo à saída da ponte do Raro, cuja fica ao lado daquela que foi construída pelo presidente Casimiro Pereira (raio de ideia do homem) justamente para o trânsito fluir melhor nos dois sentidos, e que agora servirá só para dar comer aos peixinhos (quer dizer, com os pesqueiros ali perto, os peixes são capazes de se espantar e abalar para outras paragens, mas isso já é outro filme).
Já agora, os autocarros que chegam aos hotéis, não podendo sair da praça às arrecuas, e em vez de saírem logo directamente para a avenida à saída da praça, vão dar nas canelas ao edifício da Caixa Agrícola, isto se os maiores conseguirem dar a curva, e voltar ao centro da cidade. Brilhante.
A ideia dos monstruosos pneus de tractor para simular uma rotunda na principal artéria da cidade, de uma estética capaz de envergonhar qualquer paródia de festa de aldeia, também foi um achado. De resto, esperar naqueles semáforos, 15 segundos ou meio minuto, em média, e isto apenas nas duas tristes “horas de ponta” da vilória, é uma tragédia que nem em Nova Deli.
Jovens: tanto quanto se sabe, não houve nenhum motim ou levantamento popular por causa do meio minuto que se espera para contornar, de vez em quando, as carrinhas que vão largar os velhotes ao centro de dia da Misericórdia. Aquela espera é um tributo nosso aos que fizeram o caminho que nós agora percorremos. Ninguém se chateia, percebem? Quando não esperássemos, com calma, pela saída dos velhotes para o centro de dia, sem stresses, estaríamos condenados enquanto comunidade. Não há ali nenhum problema, percebem? São aquelas esperas normais que há em determinados sítios.
Homens desta terra: infelizmente ou felizmente, Torres Novas não tem um problema de trânsito. Aliás, se alguma coisa funciona bem nesta cidade, é o trânsito como está organizado, de resto porque foi o resultado de quem o pensou como deve ser, ao longo de anos, e chegou à fórmula melhor possível. Torres Novas, repita-se, não tem um problema de trânsito. Todo o santo dia é uma calmaria, uma paz de cemitério, o trânsito desta cidade nas ruas do centro histórico e proximidades. E não será diferente no futuro, antes pelo contrário.
Ora bem: é verdade que há pessoas carentes, com problemas de auto-estima, que precisam de um carinho. Mas utilizar estas experiências onanistas para espantar o bocejo e o facto de não se ter outras lembranças mais conducentes, vá, por que não fazer qualquer coisa útil à sociedade? Por exemplo, plantar árvores, muitas árvores, em vez de as arrancar, arranjar calçadas e passeios permanentemente esventrados, manter as ruas limpas, arranjar uma solução a sério para a merda de pombo que de forma abjecta enxameia ruas, passeios e portas de casas por tudo quanto é canto, qualquer coisa.
Uma cidade, esta merda pá, não é propriamente um brinquedo para entretém de garotos. Não há um adulto na sala?
PS - Parece que há um sítio da cidade, o único, onde em média se espera mais de 15 segundos ou meio minuto, nas duas terríveis horas de ponta: é ali a saída à ponte do Bom Amor. Só para não se dizer que não há assim nada…
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Não há um adulto na sala? - joão carlos lopes
Opinião
» 2022-09-21
» João Carlos Lopes
A cena da imagem é uma carrinha de pronto-socorro que queria ir para os lados de São Pedro. Não podendo (teria de voltar em direcção ao largo da Botica, Rotunda, rua do Nogueiral, largo do Caldeirão, fazer toda avenida, isto é, correr a cidade toda) – por isso, tentou pela rua da Trindade, mas teve de voltar para trás. Pois é isso: como mesmo um cego pode constatar, a rua da Trindade só tem largueza para um papa-reformas e mal. É o que acontece quando se altera o sentido de uma rua, a Direita de São Pedro, que é há séculos uma rua de saída para os lados do Samão, Lapas, Ribeira, mais antigamente para Alcanena pela Videla. Há ruas que têm um ADN, uma coisa que não se deve mudar, está-lhes na pele.
Entretanto, quem aparecer no largo do Paço ou no largo da Botica e queira ir para a outra zona da cidade, Tufeiras, Silvã, ou mesmo sair para Ourém e Tomar, carros, camionetas ou trotinetas, desce a Miguel Bombarda, atravessa a ponte, mete pela rua do Nogueiral e vai obrigatoriamente dar ao local da cidade onde o trânsito é mais atravancado e até perigoso: o largo do Caldeirão. É a perigosa curva em cotovelo, para os peões, para os carros que vão e que vêm, as pessoas que tem de travessar o largo, é o cruzamento com a avenida dos Bombeiros Voluntários, que agora já é relativamente congestionado para os padrões locais. Pontaria melhor, era difícil.
A ponte vinda da biblioteca, para acabar com a entrada pelo túnel na rua 1.º de Dezembro, é a pedido de um (dois, no máximo) moradores e de um bar, dizem os especialistas ouvidos. Chatice, a rua é assim estreita há 500 anos e quem para lá foi, e vai, já sabia disso. Diz que é chato, estar a ouvir carros de vez em quando. Espera-se igual tratamento para os moradores da rua Miguel de Arnide, Carlos Reis, Artur Gonçalves, da Rua Miguel Bombarda, da rua Serpa Pinto, que ainda assim são muitos mais que dois. Feche-se isso tudo, também são povos de Deus. De qualquer modo, foi muito boa ideia fazer esta experiência, neste ponto concreto da ponte da biblioteca para a avenida, quando as piscinas estão encerradas ao público e ainda não começaram as actividades do Choral em força. Pelo que se antevê, seria o caos.
Outra ideia de se lhe tirar o chapéu é o acesso ao largo de São Pedro pela rua Dr. F.L. Gouveia, logo à saída da ponte do Raro, cuja fica ao lado daquela que foi construída pelo presidente Casimiro Pereira (raio de ideia do homem) justamente para o trânsito fluir melhor nos dois sentidos, e que agora servirá só para dar comer aos peixinhos (quer dizer, com os pesqueiros ali perto, os peixes são capazes de se espantar e abalar para outras paragens, mas isso já é outro filme).
Já agora, os autocarros que chegam aos hotéis, não podendo sair da praça às arrecuas, e em vez de saírem logo directamente para a avenida à saída da praça, vão dar nas canelas ao edifício da Caixa Agrícola, isto se os maiores conseguirem dar a curva, e voltar ao centro da cidade. Brilhante.
A ideia dos monstruosos pneus de tractor para simular uma rotunda na principal artéria da cidade, de uma estética capaz de envergonhar qualquer paródia de festa de aldeia, também foi um achado. De resto, esperar naqueles semáforos, 15 segundos ou meio minuto, em média, e isto apenas nas duas tristes “horas de ponta” da vilória, é uma tragédia que nem em Nova Deli.
Jovens: tanto quanto se sabe, não houve nenhum motim ou levantamento popular por causa do meio minuto que se espera para contornar, de vez em quando, as carrinhas que vão largar os velhotes ao centro de dia da Misericórdia. Aquela espera é um tributo nosso aos que fizeram o caminho que nós agora percorremos. Ninguém se chateia, percebem? Quando não esperássemos, com calma, pela saída dos velhotes para o centro de dia, sem stresses, estaríamos condenados enquanto comunidade. Não há ali nenhum problema, percebem? São aquelas esperas normais que há em determinados sítios.
Homens desta terra: infelizmente ou felizmente, Torres Novas não tem um problema de trânsito. Aliás, se alguma coisa funciona bem nesta cidade, é o trânsito como está organizado, de resto porque foi o resultado de quem o pensou como deve ser, ao longo de anos, e chegou à fórmula melhor possível. Torres Novas, repita-se, não tem um problema de trânsito. Todo o santo dia é uma calmaria, uma paz de cemitério, o trânsito desta cidade nas ruas do centro histórico e proximidades. E não será diferente no futuro, antes pelo contrário.
Ora bem: é verdade que há pessoas carentes, com problemas de auto-estima, que precisam de um carinho. Mas utilizar estas experiências onanistas para espantar o bocejo e o facto de não se ter outras lembranças mais conducentes, vá, por que não fazer qualquer coisa útil à sociedade? Por exemplo, plantar árvores, muitas árvores, em vez de as arrancar, arranjar calçadas e passeios permanentemente esventrados, manter as ruas limpas, arranjar uma solução a sério para a merda de pombo que de forma abjecta enxameia ruas, passeios e portas de casas por tudo quanto é canto, qualquer coisa.
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