• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sexta, 15 Novembro 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Seg.
 15° / 5°
Períodos nublados
Dom.
 16° / 8°
Céu nublado com chuva fraca
Sáb.
 14° / 5°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  13° / 7°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O desejo da barbárie

Opinião  »  2018-10-24  »  Jorge Carreira Maia

"A corrosão da civilidade e a degradação da vida em comunidade são vírus que vivem já entre nós. Estão apenas à espera de um meio ambiente mais propício para mostrarem as garras."

Vive-se, em Portugal, uma doce ilusão, a de que ainda não fomos tocados pelo vírus do populismo. É um facto que os principais agentes políticos têm evitado recorrer ao mais sombrio populismo político. No entanto, na sociedade desenha-se um desejo mal disfarçado de soluções populistas. O que caracteriza essa ânsia é a contestação de muitos dos progresso civilizacionais. Um caso sintomático foi o da fotografia publicada, após captura, dos três foragidos de um tribunal. O ministro Eduardo Cabrita reagiu, afirmando que aquele tipo de fotografias era inaceitável por parte da polícia de um Estado de direito. As reacções de sindicatos e organizações para-sindicais, assim como de muita gente nas redes sociais não se fez esperar, com ataques ao ministro, montagem de imagens falsas e todo o arsenal de indignações mais ou menos alarves.

O que Eduardo Cabrita – e também Marcelo Rebelo de Sousa – fez foi defender a vida civilizada e as regras segundo as quais esta se deve orientar. Regras essenciais da vida civilizada são as que desligam a Justiça da vingança ou as que não eliminam os direitos dos criminosos. Estas regras, cada vez que existe um crime mais dramático, são postas em causa por uma multidão ululante, que despreza a vida civilizada e o progresso moral que nos permitiu sair da barbárie. Na verdade, é através da Justiça que o populismo entra nas sociedades, dissemina-se e corrói os alicerces que tornam a vida digna de ser vivida. Mesmo em Portugal, um dos países mais seguros e com uma das taxas de criminalidade das mais baixas do mundo, a pulsão para a barbárie é mais forte do que se pensa.

O desejo da barbárie é alimentado de forma insidiosa por programas de televisão e artigos de jornal justicialistas, por telejornais que, no infausto modelo que é o seu, destroem uma visão racional e civilizada da justiça e da própria vida comunitária, vendo-as como um jogo de vinganças, um prelúdio à guerra de todos contra todos. A corrosão da civilidade e a degradação da vida em comunidade são vírus que vivem já entre nós. Estão apenas à espera de um meio ambiente mais propício para mostrarem as garras. Tudo isto deveria merecer uma profunda e redobrada atenção dos agentes políticos. Só um exercício político iniludivelmente virtuoso e uma preocupação com a eficácia e independência da justiça pode evitar que a virose se transforme numa doença mortal. O que me aflige, hoje em dia, não é sequer que os agentes políticos – do governo e da oposição – não percebam o que se está a desenvolver. O aflitivo é que eles contribuam, com palavras e actos, para propagar a doença.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Nazismo e comunismo »  2019-11-09  »  Jorge Carreira Maia

No mês passado o Parlamento Europeu aprovou uma resolução de condenação dos regimes nazi e comunista. Na verdade, ambos os regimes perseguiram e mataram adversários e o Estado teve neles uma configuração totalitária.
(ler mais...)


Quando eu for grande... »  2019-11-06  »  Hélder Dias

A doença das democracias liberais »  2019-10-25  »  Jorge Carreira Maia

Em curta entrevista concedida este ano ao Estadão de S. Paulo, o cientista político Yascha Mounk, especialista na crise das democracias liberais, afirmava temer que não se esteja perante um mero episódio de populismo, mas a entrar numa era populista.
(ler mais...)


Rio petisco »  2019-10-11  »  Hélder Dias

Casal da Treta? »  2019-10-11  »  Hélder Dias

Das eleições, leituras »  2019-10-10  »  Jorge Carreira Maia

1. APESAR DO PRÓPRIO PARTIDO. O PS teve um bom resultado, mas não excelente. Não conseguiu penetrar significativamente na esquerda e alienou, em campanha, uma parte do centro para o PSD.
(ler mais...)


Venham mais vinte cinco, por Inês Vidal »  2019-10-02  »  Inês Vidal

Não deixa de ser curioso o facto de festejarmos 25 anos com a produção de uma revista. Numa altura em que já ninguém lê - muito menos jornais, mesmo os regionais e, dentro destes, menos ainda os que não anunciam nascimentos, casamentos e funerais - produzir ainda mais uma revista tem algo de irónico.
(ler mais...)


Fazer acontecer »  2019-10-02  »  Anabela Santos

A importância de fazer acontecer é, cada vez mais, uma certeza para mim.
Não sei se tem a ver com a idade, a consciência ou a vivência, mas é raro o dia em que não tenha o tal pensamento … “é mesmo importante o que esta gente faz acontecer”

E, como é óbvio, não me refiro aos actos dos nossos governantes.
(ler mais...)


Por este lado é que vamos, por João Carlos Lopes »  2019-10-02  »  João Carlos Lopes

1. Políticas nacionais, aqui e ali mais impostas a nível local por opção dos próprios, devastaram as economias locais das pequenas cidades e vilas do país. O comércio local e grande parte dos serviços foram fustigados e depois engolidos pelos grandes grupos nacionais ou trans-nacionais, remetendo as cidades e vilas portuguesas a pouco mais que cenários onde nada se passa.
(ler mais...)


O prazer de ir a lado nenhum »  2019-09-28  »  Jorge Carreira Maia

O maior prazer daqueles que frequentam a literatura será o da deambulação, visitar lugares desconhecidos e confrontar-se com mundos inesperados, andar por aí sem ir a lado nenhum. Se quisermos uma prova sobre a existência de uma pluralidade de mundos, basta uma palavra: literatura.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-10-25  »  Jorge Carreira Maia A doença das democracias liberais
»  2019-11-06  »  Hélder Dias Quando eu for grande...
»  2019-11-09  »  Jorge Carreira Maia Nazismo e comunismo