Com a chegada, há três anos, do Padre Carlos Ramos a Torres Novas, muito mudou na actividade paroquial. A intervenção no património religioso foi uma delas. A Igreja de Santiago já foi pintada e ainda irá receber obras no seu interior, a Igreja de Salvador está prestes a sair de uma empreitada de grande remodelação e a Igreja de São Pedro está igualmente em obras desde a semana passada. Isto, depois de restaurado todo o edifício São Pedro e, mais recentemente, o órgão de tubos da Igreja de Santiago. A intervenção no património é profunda e necessária, resultado do desinvestimento na conservação ao longo das últimas décadas.
Todos este trabalho começou a ser pensado com a chegada do padre Carlos Ramos a Torres Novas e ganhou novos contornos com a possibilidade de candidatura a verbas do QREN (fundos comunitários), através da ”Regeneração Urbana”. Aprovada a candidatura das paróquias, as obras avançaram sem mais demora, mas o dinheiro do QREN continua por chegar. Entretanto, as empreitadas vão avançando e as paróquias contando com o apoio da comunidade, que continua a marcar presença nas iniciativas organizadas para angariação de fundos e com o apoio logístico da Câmara Municipal.
”A Igreja neste momento entrou na fase vermelha, porque estamos envolvidos em muitas frentes. A Igreja de Salvador está em obras e fizemos também o restauro do edifício de São Pedro. Desde o início do mês que também a igreja de São Pedro está em obras e quando lá entrámos detectámos muitas irregularidades, de muito difícel restauro. Esperávamos apenas substituir a cobertura, o soalho, a electrificação e fazer a limpeza de pedras, mas detectámos um estado de grande degradação das paredes centrais da coxia. Estávamos a pensar gastar ali 150 mil euros, mas agora esse valor não chega”, relatou o padre Carlos Ramos.
As obras da Igreja de Salvador deverão terminar dentro de um mês, mas o prazo das de São Pedro ainda não é conhecido. Terminada essa obra, o próximo alvo será a Igreja de Santiago que, depois de ter sido pintada exteriormente, terá que mudar o forro, a cobertura e a electrificação.
A intervenção nas três igrejas, no órgão de tubos e no bloco 1 do edifício São Pedro são comparticipadas pelo QREN, com uma comparticipação de 45 por cento. O orçamento inicial para esta empreitada geral (sem contar com o restante salão de São Pedro, que é da inteira responsabilidade das Paróquias e não entra nesta equação) era de 500 mil euros, um valor que irá ser maior agora, com as obras não esperadas na Igreja de São Pedro.
”Temos que fazer muitos almoços e esperamos que os torrejanos colaborem”, disse meio a sério, meio a brincar, o padre Carlos Ramos. Da Câmara Municipal tem vindo o apoio logístico, mas o pároco espera que venha, igualmente, algum apoio financeiro.
Igreja de Salvador
As obras da Igreja de Salvador, orçadas em 130 mil euros,são essencialmente visíveis no interior do edifício, com uma remodelação total da electrificação, de forma a garantir segurança para a igreja, e com a colocação de muitos e modernos candeeiros, para iluminar um salão que até agora tinha pouca luz. Só em iluminação, contou o padre Carlos Ramos, foram gastos 30 mil euros. O tecto foi conservado e as pedras limpas e na zona do coro todas as madeiras foram substituídas. Os cadeirais existentes no coro foram conservados apenas por limpeza e pela substituição de peças podres e o retábulo de talha dourada na zona do altar teve que ser consolidado com uma estrutura metálica (não visível) de suporte.
A Igreja de Salvador tem agora uma casa-de-banho (já que a sua utilização é essencialmente para casamentos e baptizados) e também o acesso ao púlpito foi melhorado.
Os frescos de uma das salas e do cartório da Igreja, ”os mais bonitos de Torres Novas”, como diz padre Carlos Ramos, estão em avançado estado de degradação e as verbas não são suficientes para suportar o seu restauro. Os frescos serão apenas limpos e protegidos com uma película para ver se aguentam mais uns anos. A Capela de São Jorge, segundo alguns historiadores, foi também recuperada. Pelo jardim de Salvador chega-se à muralha da cidade, outra que está igualmente a precisar de obras de conservação, mas essas da responsabilidade da Câmara Municipal.
Órgão de tubos de Santiago
Na sexta-feira, 5 de Março, realizou-se a demonstração e o teste ao restauro do órgão de tubos da Igreja de Santiago. Uma obra começada em Setembro de 2009 e realizada ao abrigo da ”Regeneração Urbana” (cuja comparticipação do QREN ainda não chegou) e que foi agora dada como terminada. O restauro desta peça, orçamentado em 50 mil euros, foi apontado como prioridade no âmbito de todas as intervenções realizadas pela paróquia, devido à sua ”mais-valia patrimonial para toda a cidade, não só para os que participam do culto, como para os que gostam de música e que podem agora ter a possibilidade de assistir a concertos de órgão de tubos”, salientou o pároco.
Feita a candidatura ao QREN, que comparticipa apenas 45 por cento da intervenção, veio uma equipa da Alemanha para fazer a análise do órgão e respectivo orçamento. Tomada a decisão de avançar, o órgão foi desmontado em Setembro de 2009 e as peças foram levadas para a Alemanha para restauro. Todas as peças são originais, o que faz com que seja possível ter o órgão original de 1798.
O órgão é composto por 750 tubos e foi feito pelo organeiro português Fontanes, que fez outros dois para Santarém. Supõem-se que o órgão tenha sido feito especialmente para a Igreja de Santiago, já que tem os dois símbolos de Santiago, a concha e a estrela. O órgão de Santiago é o único na cidade, embora se desconfie que terá havido um bem mais pequeno em Salvador, entretanto desaparecido.
A intenção do padre Carlos Ramos é que este órgão tenha agora a maior utilização possível. Além de passar a estar presente nas celebrações, diariamente, espera o pároco que o Choral Phydellius apresente propostas para a utilização do mesmo. A primeira utilização lúdica do órgão terá lugar num concerto que acontecerá no domingo de Páscoa, pelas 16 horas, com o conservatório e coro da cidade. ”Seria bom que a escola de música pudesse desenvolver aulas de órgão, de modo que aqui na cidade pudéssemos oferecer concertos deste instrumento com frequência. As portas da igreja estão sempre abertas a estas iniciativas. A Igreja foi uma das promotoras da música e era bom que este espaço fosse também um local de encontro musical”, desafiou o Padre Carlos Ramos.