Há cerca um ano, a população de Casével levantava-se indignada contra o município de Torres Novas e exigia uma estrada em condições para a Comenda de Casével. A indignação foi ao ponto de se colocar uma placa na estrada, para fazer saber a quem ali passava, que o responsável pelo mau estado da via era o município de Torres Novas. António Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, não gostou e, à data, prometeu fazer a obra assim que a placa fosse retirada. As máquinas para a empreitada estiveram lá, a placa foi removida, mas a obra não foi feita. E um ano depois está na mesma.
O município de Torres Novas é o responsável por grande parte daquela estrada, segundo adiantou o presidente da Junta de Freguesia de Casével e o vereador do pelouro da Câmara de Santarém. Já este município é responsável por um dos sentidos de dois quilómetros de estrada e Alcanena detém cerca de 200 metros da via, que já estão arranjados.
Há um ano atrás, António Rodrigues garantiu que iria fazer o projecto para a obra que seria depois comparticipada pelos dois municípios (Torres Novas e Santarém). Contactado na semana passada pelo JT, o autarca torrejano disse que aguarda ainda a resposta do município de Santarém às propostas efectuadas. Mas do lado de Santarém, a teoria é diferente: segundo Ricardo Gonçalves, vereador da Câmara Municipal de Santarém, a estrada que mais polémica gera, já que é a que mais tráfego tem, é a que segue (depois da bifurcação) para Comenda de Casével e essa, ainda segundo o vereador, é da inteira responsabilidade do município de Torres Novas. Já a estrada que, na bifurcação, vira para Alcorochel tem cerca de dois quilómetros que são propriedade dos dois municípios, sendo a sua respectiva divisão, o eixo da via.
O vereador Ricardo Gonçalves diz ainda que chegou a reunir com o autarca torrejano e que acordado ficou, já que a maior parte da obra é da responsabilidade de Torres Novas, que o município torrejano seria o dono da obra, faria o projecto e Santarém pagaria a sua parte. O primeiro projecto apresentado por Torres Novas, diz ainda o vereador de Santarém, foi reprovado, já que era inaceitável: ”A primeira proposta era que a obra fosse paga a meio por meio e não pode ser, já que a parte de Torres Novas é maior. Agora, continuamos à espera de novo projecto”, adiantou o vereador.
O presidente da Junta de Casével, Carlos Trigo, continua a aguardar uma resolução para o problema e está a procurá-la nas vias institucionais, tentando para já agendar uma reunião entre os presidentes das juntas de freguesia envolvidas e dos dois municípios. Caso a via institucional não dê frutos, a luta vai continuar, garante o autarca.