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Edição nº 832 de 27-07-2012 • Série II • Ano 18 • Directora: Inês Vidal
 
 
   
Cultura 

Bênção do Gado: Pedro Barroso e OqueStrada para fechar a festa em grande
A maioria das actividades previstas na programação da festa da bênção do gado já se realizou, mas há quem diga que o melhor ainda está para vir com o cortejo que se realiza domingo, a partir das 16 horas, e que se inicia no largo da estação. Para esta sexta-feira, às 19 horas, está anunciada a chegada da imagem do Senhor Jesus dos Lavradores, que virá da igreja de Sant’Iago (Torres Novas), onde esta à guarda da Misericórdia torrejana. É transportada até à entrada da vila de Riachos, iniciando-se aí a procissão até à igreja Santo António, onde ficará exposta para veneração durante o fim-de-semana.

Esta noite é dia de corrida de touros, na praça instalada no Tocha, e no sábado e domingo as propostas são bastante diversas: Pedro Barroso e OqueStrada asseguram o palco principal nas noites de sábado e domingo. Na segunda-feira, às 18 horas, acontecerá a cerimónia de devolução da imagem do Senhor Jesus dos Lavradores à capela da Misericórdia situada na matriz de Sant’Iago.


 
O que já se passou:

O espectáculo ”Riachos, terra do Ribatejo” realizou-se na sexta-feira, dia 20, e recriou vários quadros ligados à vida rural. Às 22h30, a praça de touros encontrava-se praticamente cheia mas os espectadores, ansiosos por ver as recriações, tiveram de esperar mais de meia hora. O desconsolo foi aumentando à medida que a noite se ia acentuando, devido ao vento e ao frio (coisas que não se controlam).

No espectáculo participou gente de todas as idades, envergando trajes de época. Foram intercalados momentos de canto, com leituras expressivas, acompanhadas da respectiva recriação, havendo também espaço para a actuação do rancho folclórico ”Os Camponeses”.

O público pôde ver como era árdua a vida no campo, no século passado e as tarefas desempenhadas por homens e por mulheres, apreciando a recriação dos camponeses, do gado e dos campinos em acção.

Fez-se ainda referência às tradições características da quinta-feira da Ascensão, como o apanhar da espiga e seu significado, uma recriação original onde mulheres e crianças colheram e montaram o ramo, dançaram, cantaram e comeram no campo com o resto da família, como se fazia antigamente, nesse dia de descanso do trabalho difícil do campo.

Os mais velhos relembraram aquilo por que já passaram e, as crianças aprenderam, de forma lúdica, o modo de vida das gentes da geração dos seus avós.

 

Columbófilo riachense venceu derby

O riachense Fernando ”Caniço” foi o vencedor do Derby Columbófilo promovido pela Sociedade Columbófila de Riachos – iniciativa que integrou o programa da festa da bênção do gado. A prova final decorreu no sábado, 21 de Julho, tendo os dois primeiros pombos chegado ao columbódromo cinco horas depois de terem sido largados em Maqueda, Espanha. Estavam inscritos nesta prova 261 pombos que encontraram bom tempo e vento fraco, que soprava de noroeste (condições à partida). Os pombos terão feito uma velocidade média de 85 quilómetros por hora.

O ambiente em torno do columbódromo, recentemente inaugurado, era de entusiasmo e contou com animação por parte do rancho folclórico ”Os Camponeses” e do grupo de cantares do NAR. Bebidas e grelhados começaram também a sair cedo, para confortar o estômago, numa manhã que acabou por se estender até mais tarde.

 

Gincana testou habilidade de tractoristas

A habilidade na condução de tractores agrícolas foi colocada à prova no sábado de manhã (21 de Julho) com uma gincana de tractores, ”acontecimento único em todo o Ribatejo” segundo a organização da festa da bênção do gado. A prova iniciou-se a meio da manhã e decorreu junto à praça de touros. Os condutores tinham de fazer um percurso de obstáculos no menor tempo possível e estacionar o tractor e o respectivo atrelado (galera), de marcha atrás. Antes de fazer o caminho invers o condutor tinha de parar no meio do percurso para beber um copo de vinho e comer uns tremoços.

 

Exposição reúne chocalhos de todo o país

Carlos Fanha tem pela primeira vez em exposição, na sede da Sociedade Velha Filarmónica Riachense, a sua colecção de chocalhos e campainhas, composta por cerca de 1000 exemplares (tem mais 300 chocalhos que ficaram em casa).

O coleccionador contou ao JT que esta paixão já vem desde 1978, quando iniciou o restauro do palheiro de um familiar: ”Encontrei duas caixas de madeira com chocalhos e campainhas. Durante cerca de dez anos guardei este material e só mais tarde comecei a pensar se o punha no lixo ou recuperava”, recordou. E assim se tornou coleccionador, começando a recuperar, adquirindo mais e mais chocalhos, em feiras e biscateiros.

Admite não saber a história de cada um dos exemplares que tem, mas conhece a técnica de fabrico e as funções. Entende que o mais importante é a classificação que os pastores lhes dão, em função do estado do chocalho ou do desgaste da campainha. A informação que hoje tem sobre chocalhos foi sendo recolhida de norte a sul do país, através de conversas com pastores, maiorais, e trocas de opiniões acerca das técnicas. O coleccionador tem peças com centenas de anos, como é o caso de um chocalho que já vem da terceira dinastia portuguesa, diz.

Carlos Fanha admite que, para chegarem aos dias de hoje no estado de conservação que apresentam, foi porque tiveram pouco uso. Parte deles, os que têm as coleiras decoradas, seriam objectivamente para enfeitar os animais quando estes iam a romarias, para terem melhor apresentação. ”No dia-a-dia usavam-se chocalhos sem monograma de identificação da casa agrícola. Eram simples e singelos”.

O responsável pela exposição contou ainda uma curiosidade, a respeito da função de alguns dos chocalhos: ”Os maiores eram usados como um travão. Eram colocados na cabeça do animal que tinha tendência para fugir para os melhores pastos. Aplicava-se um chocalho destes com a coleira bastante larga e quando a égua resolvia fugir, o chocalho começava a bater-lhe nas pernas e ela tinha de parar”.

Os chocalhos, em sua casa, estão dispostos da mesma forma que estão nesta exposição e, assegura, quase todos os dias tem alguma intervenção a fazer. ”Há peças que vêm estaladas, que precisam ser recuperadas. Há sempre trabalho a fazer”.

A exposição na sede da filarmónica é ainda composta por chaves antigas, candeeiros a petróleo, licoreiras, pratos e travessas.

E.B./D.A.

   Por:
Jornal Torrejano

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